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Entrevista: Eugênio Bucci

 

A Defesa da instituição da imprensa

Para o ex-presidente da Radiobrás, o Estado deve ser fiscalizado pela imprensa e jamais se tornar editor de informações.

 




“O perigo de você admitir que tudo é tendencioso, 
é que você acaba legitimando, por tabela, o partidarismo governista”.

Eugênio Bucci já experimentou praticamente de tudo o que o jornalismo pode oferecer em termos de carreira profissional. Da reportagem à direção de grandes redações da editora Abril, onde também ocupou cargo de Secretário Editorial. Assinou colunas em Veja, Folha de S. Paulo, e Estado de S. Paulo. No meio acadêmico, atualmente leciona no curso de jornalismo da USP. Em 2003, aceitou o convite do presidente Lula de presidir a Radiobrás, a empresa brasileira de comunicação, onde ficou até 2007. Foi lá, valendo-se das experiências que adquiriu por meio de sua circulação não apenas no mundo informativo e caótico que representa as redações nas quais trabalhou, mas, também, no mundo acadêmico – não por isso menos caótico que o da imprensa – que o jornalista peitou qualquer tipo de pressão vinda do Estado para levar adiante um jornalismo livre, apartidário e objetivo. Aliás, ao que se refere a este último conceito, Bucci é categórico: pensa a objetividade “com relação àquilo que ela busca evitar, que é a subjetividade deliberada”. No ano passado, lançou Em Brasília, 19 horas, livro que apresenta sua trajetória na Radiobrás.

Há uma confusão quando se tenta verificar se o jornalismo ainda mantém uma postura racionalista do Renascimento. Pode-se dizer que essa discussão já foi ultrapassada? O senhor defende que o jornalismo deve ser objetivo, vigilante; isso não seria retroceder, ao invés de buscar novas linguagens?

O jornalismo nasce, principalmente, por meio da imprensa de opinião, que é aquela que aflora no século das Luzes. Os jornais eram veículos de correntes de opinião. A idéia da objetividade vai ganhar mais força no século 19, mais exatamente no começo do século 20, quando o jornalismo já passa a ser uma indústria autônoma, um negócio autônomo. Os jornais independentes são também negócios independentes; isso vem da descoberta de que a informação pública é uma mercadoria e como tal as pessoas vão pagar um valor para estarem bem informadas. Eu não penso em termos de racionalidade no espaço público. O que eu penso é que, hoje, a função de mediação do debate público requer do narrador e do mediador independência de perspectiva. Ele não pode representar interesses econômicos; ele pelo menos não deve pretender fazer isso. Ele não deve também ser um divulgador ou propagandista de causas parciais da sociedade. O valor da informação está vinculado à capacidade que essa informação tem de servir diferentes públicos, refletindo, às vezes, interesses conflitantes. Assim é que o jornalismo pode fazer mediação. E é nesses termos que eu falo de credibilidade. É importante que o público, quando leia ou quando tenha acesso à informação, se sinta confortável para acreditar na boa-fé daquele que está reportando aquela informação. É disso que se trata, e não da adoção de parâmetros racionais, mas da adoção de parâmetros que possam acolher a confiança do público. O jornalismo pode ser indiretamente vinculado a uma determinada causa? Ele pode desde que isso seja explicitamente posto para o público. De forma que o público, ao ter acesso a essa informação, possa filtrá-la devidamente.

Clique no link *leia mais* e veja a entrevista na íntegra.

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